negócios com a ìndia

Como fazer bons negócios com a Índia e participar do mercado de maior potencial do mundo



A República da Índia está localizada no sul da Ásia, entre o Mar da Arábia e a Baía de Bengala, fazendo fronteira com Bangladesh, Butão, Myanmar, China, Nepal e Paquistão. Com a segunda maior população do mundo, com estimados 1,339,330,514 de habitantes, atrás somente da sua vizinha China, mas com perspectivas de se tornar a mais populosa ainda nessa década. O crescimento econômico robusto e constante desde a abertura comercial dos anos 1990 colocou a Índia entre as maiores economias do mundo.

Esse crescimento obviamente foi freado com a pandemia de Covid-19, com a economia indiana apresentando retração. Mas espera-se uma retomada vigorosa com as vacinas surgindo, inclusive porque a Índia, que é um dos países mais competitivos do mundo na indústria farmacêutica,  será um dos protagonistas do processo de imunização no mundo, se beneficiando, inclusive, do ganho diplomático e de imagem para o país.

Então, vale a pena conhecer mais sobre a Índia, um país que desponta como um dos protagonistas econômicos  e  políticos do Século XXI, e no qual o Brasil deve prestar muita atenção.

 

O peso da Índia na política e economia mundiais

 

Do ponto de vista da geopolítica, a balança econômica do mundo está se inclinando para a Ásia. E, para onde o peso econômico se coloca, o peso político inevitavelmente o segue. Especialmente quando se trata de um país com grande território, grande população, o terceiro maior exército do mundo, com 1,3 milhão de homens e mulheres, e uma potência nuclear. Uma soma de fatores que coloca Nova Délhi como, no mínimo, um contrapeso a Pequim na geopolítica asiática.

 

Do ponto de vista econômico, a Índia é um país no qual as empresas brasileiras devem prestar muita atenção. Tanto por ser um mercado enorme, com uma classe média de 300 milhões de pessoas, com um poder de consumo cada vez maior, que os exportadores brasileiros não devem ignorar, como por ser um fornecedor muito competitivo de produtos e serviços, de onde o mundo inteiro importa.

 

 

O sistema político da Índia

 

Maior democracia do mundo, a Índia é uma República Parlamentar Federal e tem um Presidente da República como Chefe de Estado, com Ram Nath Kovind no cargo desde 2017 e um primeiro-ministro como Chefe de Governo, estando Narendra Modi no cargo desde 2014. Ambos pertencem ao BJP, um partido de direita, que defende uma ideologia nacionalista e lidera a coalizão Aliança Democrática Nacional.

 

Sétimo país do mundo em extensão territorial, os 3,287,263 km² da Índia são divididos em 28 estados e 7 territórios da União. Nas últimas duas décadas, várias iniciativas foram tomadas para fortalecer os governos locais, dando mais autonomia e legitimidade aos órgãos locais urbanos.

 

As responsabilidades foram atribuídas por meio de um sistema assimétrico de descentralização em favor dos governos estaduais. Estes são responsáveis pela ordem e saúde públicas, agricultura, indústria, pelos governos locais, direitos da terra e segurança pública.

 

Em nível municipal, porém, são definidas apenas 18 funções – derivadas dos estatutos estaduais –, dentre elas, a determinação de que os Estados constituam, a cada 5 anos, uma comissão de finanças para revisar e fazer recomendações acerca da situação financeira do município.

 

 

A Economia da Índia

 

A economia da Índia é diversificada, abrangendo agricultura tradicional de vilarejos (pequenos agricultores), agroindústria, artesanato, uma ampla gama de indústrias e uma infinidade de serviços. Pouco menos da metade da força de trabalho está na agricultura, mas os serviços são a principal fonte de crescimento econômico, representando quase dois terços da produção indiana, empregando, porém, menos de um terço da força de trabalho indiana.

 

O país valeu-se de sua grande população de língua inglesa para se tornar um grande exportador de serviços de TI – Tecnologia da Informação, e de terceirização de negócios (outsourcing). No entanto, a renda per capita permanece abaixo da média mundial, em decorrência da população numerosa e majoritariamente empobrecida.

 

O PIB da Índia

 

A Índia é uma das economias que mais cresce no mundo, com perspectivas de em um futuro relativamente próximo, ultrapassar a Alemanha e o Japão e se tornar o terceiro país mais rico do mundo, atrás somente de China e Estados Unidos, confirmando a tendência de que a balança econômica do planeta se inclinará cada vez mais para a Ásia.

 

O PIB  da Índia em 2019 foi de  2,83 trilhões de dólares  (estimativa), número a que ela chegou mostrando uma tendência de crescimento robusta e constante.  O crescimento do PIB indiano foi de 6,55% em 2017, 6,78% em 2018 e 4,86% em 2019.

 

 

A abertura econômica da Índia

 

A Índia foi um Estado protecionista até o fim dos anos 1980. Mas desde as reformas econômicas, lançadas em 1991, vêm crescendo aceleradamente. Medidas de liberalização econômica como desregulamentação industrial, privatização de empresas estatais e controles reduzidos sobre comércio exterior e investimento serviram para acelerar o crescimento do país, que atingiu uma média de quase 7% ao ano entre 1997 e 2017.

 

No entanto, os desafios de longo prazo permanecem significativos, incluindo sistema ineficiente de  geração e distribuição de energia, proteção ineficaz dos direitos de propriedade intelectual, infraestrutura de transporte e agricultura abaixo das necessidades, gastos altos e subsídios mal direcionados.

 

Principais parceiros comerciais da Índia

 

A Índia foi por muito tempo um estado protecionista, mas, desde a abertura iniciada na década de 1990, vem participando cada vez mais do comércio internacional, que atualmente  representa 43,3% do PIB do país,

Os principais parceiros comerciais da Índia são:

 

Estados Unidos

Emirados Árabes Unidos

Hong Kong

China

Cingapura

Arábia Saudita

Iraque

Acordos de Comércio Internacional com a participação da Índia

 

Como parte de seu processo de abertura comercial, a Índia também se filiou, ou começou a participar mais ativamente, de diversos acordos comerciais e organizações multilaterais, tais como:

 

ONU

OMC

G20

G77

BRICS

 

Mais recentemente, concluiu acordos de livre comércio com Coreia do Sul e ASEAN, e entrou em negociações com vários outros parceiros econômicos, como União Europeia – UE , Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Com o Mercosul, do qual o Brasil faz parte, há um acordo de preferências tarifárias.

 

Semelhanças e diferenças entre Brasil e Índia

 

O Brasil é um país jovem, com pouco mais de 500 anos de história desde o descobrimento, enquanto a Índia é um país cuja cultura e tradições remetem à milênios. Mas mesmo assim, existem semelhanças entre Brasil e Índia, como o fato de os dois países virem de uma tradição protecionista que só foi questionada em um processo de abertura comercial que na década de 1990, mas ainda enfrenta barreiras culturais para se consolidar.

 

 

Relações Brasil – Índia

 

As relações diplomáticas entre Brasil e Índia foram estabelecidas em 1948, logo após a independência indiana. A partir da maior abertura da economia de ambos os países, o relacionamento político e econômico tornou-se mais intenso, tendo, inclusive, estimulado o estabelecimento de uma Parceria Estratégica em 2006.

 

Brasil e Índia têm uma tradição de agir em coordenação em organismos e foros internacionais, como IBAS e BRICS, além de G4 e G20, além de entendimentos e acordos de cooperação, como nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, em que a Índia detém reconhecida experiência, e nas de agricultura, defesa, energia, espaço exterior, meio ambiente e temas sociais, onde o Brasil tem muito a oferecer.

 

Fluxo comercial Brasil-Índia

 

A Índia representa o 18o. Destino das exportações brasileiras (1,23% do total), mas existe ainda muito potencial para crescer. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, as exportações brasileiras para a Índia atingiram em 2019, a soma de US$.2,78 bilhões. Com relação às importações, o total exportado pela Índia para o Brasil em 2019 alcançou US$.4,26 bilhões,

 

Principais produtos exportados do Brasil para a Índia

 

Composto de óleos brutos de petróleo,

Ouro bruto e em pó,

Óleo de soja,

Açucares,

Algodão não cardado e não penteado,

Legumes,

Essências de madeira para fabricação de papel,

Madeira,

Produtos químicos

 

Principais produtos importados da Índia pelo Brasil

 

Óleos de petróleo e minerais,

Medicamentos,

Fios de filamentos sintéticos

Compostos orgânicos e produtos orgânicos,

 

 

Acordos Brasil-Índia

 

Os principais mecanismos de coordenação do relacionamento bilateral Brasil-Índia são a Comissão Mista de Cooperação Política, Econômica, Científica, Tecnológica e Cultural e as reuniões de consultas políticas, sendo que os acordos indo-brasileiros são os seguintes:

 

Acordo sobre Cooperação nos Campos da Ciência e Tecnologia (1985),

Acordo sobre Cooperação em Assuntos Relativos à Defesa (2003),

Acordo-Quadro sobre a Cooperação nos Usos Pacíficos do Espaço Exterior (2004)

Memorando de Entendimento para a Cooperação em Agricultura e Setores Afins (2008).

acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia (inclui o Brasil), para cerca de 500 posições tarifárias

 

Fluxo de investimentos Brasil-Índia

 

Entre os investimentos indianos no Brasil, destacam-se os feitos no setor de transmissão de energia, defensivos agrícolas e fabricação de veículos pesados. No sentido contrário, o de investimentos brasileiros na Índia, destacam-se os feitos nos setores de motores elétricos, terminais bancários e componentes de veículos pesados.

 

Em janeiro de 2020, Índia e Brasil concordaram em impulsionar o comércio e o investimento em vários campos no país um do outro e estão confiantes de que uma meta comercial bilateral de 15 bilhões de dólares poderá ser estabelecida para 2022. A Índia é, atualmente, entre as maiores economias do mundo, aquela com o crescimento mais rápido, assim como é o oitavo maior exportador e o décimo importador mundial de serviços comerciais.

 

As possibilidades são imensas, mas não deixa de ser irônico que, da mesma maneira que muitos estrangeiros se queixam da tributação incompreensível e da insegurança jurídica brasileiras, que inibem os investimentos estrangeiros aqui, muitos investidores brasileiros afirmam que o regime comercial e o ambiente legislativo na Índia são restritivos.

 

 

Porque fazer negócios com a Índia

 

A Índia é uma terra de oportunidades ilimitadas para quem quer importar, exportar, procura um mercado para investir fora do Brasil, ou ainda, deseja captar investidores estrangeiros para negócios no Brasil. Vamos analisar ponto a ponto.

 

Facilidade de fazer negócios

 

Uma das economias de mais rápido crescimento do mundo, a Índia tem a maior população jovem do mundo e sistemas de fomento incomparáveis, como a iniciativa National Infrastructure Pipeline, o primeiro de seu tipo para fornecer infraestrutura de classe mundial em todo o país.

E apesar de ainda ter muitos “cacoetes” das economias fechadas, a Índia saltou 79 posições, do 142º lugar (2014) para o 63º (2019) no Ranking de Facilidade de Fazer Negócios 2020′ do Banco Mundial.

 

Inovação

 

A Índia também saltou 4 posições e ocupa o 48º lugar no ranking Global Innovation Index 2020. O centro do comércio marítimo global se moverá da região do Pacífico para a região do Oceano Índico. A Índia, junto com a China, será o maior centro de manufatura do mundo em 2030.

 

Capacidade de recuperação econômica após a pandemia de Covid-19

 

Os números do PIB divulgados recentemente, em novembro, para o segundo trimestre de 2021, de uma queda de – 7,5% parecem melhores do que o esperado, dadas as previsões gerais de várias agências sobre a Índia há algum tempo.

 

Essa recuperação mais acentuada do que se esperava, depois da contração de 7,5%, trouxe ânimo e otimismo às empresas do país, pois a Índia mostrou um resultado muito melhor do que outros 49 países que declararam seus números do PIB para o trimestre com uma média de -12,4%.

 

Em termos mais simples, a recuperação da contração de -23,9% do PIB no primeiro trimestre para o segundo trimestre com uma contração de 7,5%, diminuindo essa diferença, é notável e impulsionada por muitos fatores.

 

O primeiro deles é a indústria, que  recuperou 91% das perdas do primeiro trimestre. O segundo é o setor de serviços, que reduziu suas perdas em 43%, impulsionado pela retomada de atividades em viagens, transporte e hotelaria. E finalmente temos a agricultura, com uma participação no PIB da Índia que indica que uma classe média que em breve será a maior do mundo, superando inclusive a chinesa, mantém uma demanda sustentada.

 

Oportunidades para empresas brasileiras no mercado indiano

 

E nessa classe média crescente, que já tem 300 milhões de consumidores cada vez mais ávidos por novidades, que se encontra as melhores oportunidades para empresas brasileiras.

 

São pessoas experientes no uso da tecnologia, que as empresas brasileiras, já internacionalizadas, ou que estejam planejando fazê-lo, podem atingir através de meios digitais, acessíveis a empresas de qualquer porte, e dotadas de consideráveis renda e economias disponíveis e que desejam o melhor que o mundo do consumo pode oferecer.



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