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Principais fundos soberanos dos países árabes – Onde e como investem



Fundos soberanos, ou fundos de riqueza soberana, em inglês Sovereign Wealth Fund (SWF), são fundos de investimento criados geralmente por países dotados de grandes reservas internacionais de moeda forte.

Ao contrário de outros fundos de investimento existentes em todo o mundo, os fundos soberanos são instrumentos financeiros capitalizados exclusivamente com as reservas monetárias dos países que os possuem, geralmente provenientes da venda de petróleo e outros recursos minerais, o que explica países árabes serem os donos de muitos dos maiores deles.

Os fundos soberanos cumprem uma dupla função para os países que os possuem. Internamente, eles permitem que os países lidem melhor com o grande fluxo de moeda forte em suas economias, o que poderia causar uma grande pressão inflacionária, entre outros desequilíbrios.

Externamente, eles são a forma que esses países têm para se preparar para um futuro em que as receitas do petróleo diminuirão, porque as reservas acabarão ou surgirão substitutos para alguns usos que o petróleo tem hoje, como por exemplo, o combustível fóssil.

 

Quanto os fundos soberanos árabes têm para investir

 

Segundo o Sovereign Wealth Fund Institute (SWFI) – grupo internacional sem fins lucrativos de gestores desse tipo de fundo, o maior fundo de riqueza soberana do mundo é o Fundo Estatal de Pensões, da Noruega, com US$ 1,09 trilhão de ativos, seguido de perto pelo China Investment Corporation, com US$ 940 bilhões. Mas logo depois deles, estão vários fundos de países árabes

Saiba quais são esses países e quanto esses fundos têm investido ao redor do mundo:

 

– Abu Dhabi – Abu Dhabi Investment Authority (ADIA) – US$ 696 bilhões;

– Kuwait – Kuwait Investment Authority (KIA) – U$ 592 bilhões;

– Arábia Saudita – Saudi Arabian Monetary Agency (SAMA Foreign Holdings) – US$ 515 bilhões;

Qatar -Qatar Investment Authority – US$ 328 bilhões.

– Fundo Mubadala – Emirados Árabes Unidos – US$ 229 bilhões.

 

Historicamente, ao redor do mundo, esses fundos soberanos são grandes investidores em portos, estradas, aeroportos e ferrovias. No Brasil, eles atuam relativamente há pouco tempo, tendo investido em infraestrutura e proteínas animais. Mas imóveis, turismo, rodovias, mineração, ecoturismo, transporte e até educação são áreas de interesse.

Vamos fala de alguns deles, e dos setores que eles podem ter interesse no Brasil.

 

Abu Dhabi Investment Authority (ADIA) – Fundo Soberano de Abu Dhabi, EAU.

 

Terceiro maior fundo soberano do mundo, a Abu Dhabi Investment Authority (ADIA), de acordo com SWFI, conta com um total de ativos estimado em US$ 696 bilhões. A ADIA tem como origem de seus ativos o petróleo e foi criado com o objetivo de investir fundos em nome do governo do país.

 

A ADIA possui um processo de investimento disciplinado que visa gerar retornos estáveis a longo prazo, dentro dos parâmetros de risco estabelecidos. Hoje, estão presentes em quase todos os continentes e contam com um carteira de investimentos em áreas como:

Ações;

Energia;

Small caps;

Bônus de governos;

Imóveis;

Capital privado;

Infraestrutura.

 

No Brasil, a ADIA tem boa parcela de seus recursos investida na bolsa e vem aumentando, mas projeta investimentos em outras áreas como turismo (o fundo é dono do hotel Four Seasons do Brasil, em São Paulo), imóveis, galpões industriais, centros de distribuição, terras e até em educação.

 

Kuwait Investment Authority (KIA) – Fundo Soberano do Kuwait

 

Primeiro fundo soberano a ser criado no mundo, em 1953, o Kuwait Investment Authority (KIA) tem ativos superiores a US$ 592 bilhões.

 

Atua por meio de subsidiárias distribuídas em todo o mundo, das quais o Kuwait Investment Authority é a empresa-mãe. Seus investimentos são, principalmente, nos mercados de ações públicas e privadas, mas também atua nos segmentos de imóveis, renda fixa, moda e investimentos alternativos em mais de cem países, como Angola, Cabo Verde, Honduras, Cuba, Nicarágua, Argentina, também em nações da Europa, Ásia-Pacífico e mercados emergentes.

 

O Brasil tem uma relação comercial sólida com o Kuwait há quase cinco décadas, mas a Kuwait Investment Authority ainda não possui investimentos por aqui. Entretanto, seus executivos confirmam que pretendem investir pesado no Brasil e estão abertos à propostas, tendo interesse nos seguintes setores:

-Segurança alimentar;

-Concessões;

-Privatizações;

-Energia renovável;

-Agronegócio;

-Mineração;

-Saúde;

-Petróleo;

-Setor financeiro

 

SAMA Foreign Holdings – (Saudi Arabian Monetary Agency) – Fundo Soberano da Arábia Saudita

 

Também um dos mais antigos do mundo, o Fundo Soberano da Arábia Saudita – SAMA Foreign Holdings faz parte do Banco Central daquele país e conta com ativos na ordem de mais de US$ 515 bilhões, que vêm, principalmente, de empresas relacionadas ao petróleo, mas também do gerenciamento de pensões públicas sauditas.

 

Parte de seus investimos é destinada internamente para apoiar o orçamento geral. Usa seu superávit para investir em títulos públicos semigarantidos, mas com cautela, já que a maior parte de seu portfólio se destina à renda fixa de baixo rendimento e baixo risco, como instrumentos de dívida soberana e títulos dos Estados Unidos. Também investe em ações, no mercado financeiro. No Brasil, a SAMA ainda não tem investimentos, mas pode ser uma das fontes dos USD 10 bilhões em investimentos acordados para o Brasil.

 

Qatar Investment Authority (QIA) – Fundo Soberano do Catar

 

O Catar é um país que aberto a negócios em todas as áreas, mas diferentemente de outros fundos soberanos, que preferem ter participações menores em negócios considerados seguros, sem se envolver em sua gestão, o fundo qatari algumas vezes assume a direção de negócios de grande visibilidade mundial, com o objetivo de promover a “marca Qatar”.

 

Essa é uma estratégia de soft power, em que, além do retorno financeiro, se busca promover o país e criar uma percepção positiva sobre ele, aumentando sua influência política e econômica no mundo.

 

Foi isso que levou a Qatar Investment Authority, através de sua subsidiária QSI (Qatar Sports Authority) a adquirir o controle do Paris Saint Germain – PSG, um dos mais populares clubes do futebol francês, e a investir pesado para tornar o clube uma potência do futebol mundial, contratando o brasileiro Neymar por 222 milhões de Euros. O ápice dessa estratégia será a realização da Copa do Mundo da FIFA, em 2022.

 

Mas isso não significa que o fundo soberano do Catar não esteja presente em muitos setores mais tradicionais da economia. Segundo o SWFI, o Qatar Investment Authority é o dono de um percentual do fundo Brookfield, do icônico Empire State Building e também de 17% das ações da montadora alemã Volkswagen.

 

No Brasil, a Qatar Investment Authority tem contatos com os governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul para investimentos na produção e exportação de grãos para o Oriente Médio, bem como a compra de terras na região Centro-Oeste, juntamente com empresas agrícolas brasileiras. Além disso, a QIA deverá se unir à Qatar Petroleum e ser potencial candidata a participar de leilões do pré-sal, que devem acontecer a partir de 2020.

 

Como muitos outros investidores estrangeiros, o fundo só aguarda a votação de projeto de lei que libera a entrada do capital estrangeiro no setor. O Qatar, por meio da QIA, tem investimentos no Brasil em torno US$ 5 bilhões. Esse valor está dividido em áreas como transporte aéreo (é dona de 10% da Latam), bancos, agricultura, petróleo e gás, editorial e educação (grupos Abril, Anglo e Sigma; além das editoras Saraiva, Ática e Scipione). Mas o forte são os investimentos nos setores imobiliário e financeiro. Ainda tem interesse em segmentos como:

Combustível;

Automóveis;

Segurança alimentar;

Vigilância em saúde pública;

Ecoturismo;

Infraestrutura;

Transportes;

Agronegócio

 

Fundo Mubadala – Abu Dabhi. Emirados Árabes Unidos

 

Outro fundo soberano de Abu Dhabi, nos EAU, o Mubadala conta com US$ 229 bilhões de valor total dos ativos. O fundo tem como áreas de atuação tecnologia da informação, comunicação, turismo, petróleo, rodovias, mineração, infraestrutura etc. Está presente em mais de 50 países.

 

Um dos primeiros a chegar ao Brasil, em 2011, o Mubadala já conta com investimentos na ordem de US$ 2 bilhões no país, sendo dono do Porto Açu e adquirido a Rota das Bandeiras, uma concessionária de rodovias paulistas, como a Dom Pedro I, que liga o Vale do Paraíba a Campinas, em uma negociação estimada em R$ 1,65 bilhão.

 

No Brasil o Mubadala pretende ser referência em entretenimento e eventos esportivos, tendo adquirido o controle acionário de marcas como São Paulo Fashion Week (moda), Taste of São Paulo (gastronomia) e Rio Open (tênis). Sendo um dos credores que herdou parte do Império esfacelado de Eike Batista, o Mubadala transformou a antiga IMX em IMM, e atua na organização e produção no Brasil de eventos como o Cirque de Soleil e espetáculos musicais.

 

Recentemente, o Mubadala anunciou que pretende continuar investindo em esporte e entretenimento no Brasil, além de outros setores, em um aporte que pode chegar a US$ 1 bilhão. Uma parte substancial desse valor iria para tentar adquirir o Ginásio e o Complexo Esportivo do Ibirapuera. Se vencer a licitação, o IMM promete fazer da cidade de São Paulo uma das maiores plataformas de entretenimento da América do Sul.

 

O fundo também tem interesse em participar da licitação para as obras da ligação rodoviária entre Piracicaba e Panorama, marcada para este ano e que pode chegar a R$ 16 bilhões. Além disso, deve entrar nas rodadas de aeroportos, previstas para 2020 e 2021. Essas licitações incluem os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont. Entre outros setores de interesse também estão:

Portos;

Rodovias;

Mineração;

Imóveis.

Petróleo

Em 2021, o fundo confirmou a entrada no ramo de refino de petróleo no Brasil.  Em 8 de Fevereiro de 2021, foi anunciado que o Mubadala ofereceu a proposta mais alta pela Refinaria Landulpho Alves (Rlam) da Petrobrás, US$1, 65 bilhão de dólares, em uma compra que ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores.

 

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Além destes, existem dezenas de outros fundos soberanos que podem investir no Brasil, e certamente olham o país com interesse. Não poderia ser diferente, dado o tamanho da nossa economia e nosso mercado consumidor.  Mas para transformar esse potencial em realidade, o Brasil precisa mostrar que tem segurança jurídica.

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