internacionalização PME

Internacionalização de pequenas e médias empresas -PMEs. O que você precisa saber



 Ganhar dinheiro no mercado exterior não é uma exclusividade das grandes empresas. Negócios menores também podem obter lucros consideráveis importando ou exportando, além de ganhos indiretos  em termos de eficiência operacional e até marketing. Por isso, vamos falar das vantagens na internacionalização de pequenas e médias empresas, – PMEs, e dos cuidados que elas precisam tomar para a estratégia ser bem-sucedida no curto, médio e longo prazos.

 

Porque pequenas e médias empresas devem se internacionalizar

A vantagem da internacionalização de pequenas e médias empresas é primeiramente de diluir riscos, não dependendo unicamente do mercado brasileiro, que muitas vezes é inconstante e exposto a crises de causas diversas.

Outra razão é elevar o seu nível de profissionalização e eficiência operacional. Ao passarem por um processo de internacionalização, pequenas e médias empresas ajustam seus procedimentos a padrões internacionais,  otimizando detalhes de suas operações em que normalmente não prestavam tanta atenção, conseguindo uma redução de custos que aumenta sua lucratividade.

Finalmente, temos um aspecto do marketing, que é a mudança na percepção de valor que os clientes do mercado interno tem sobre produtos ou serviços que são exportados.

 

Existe alguma diferença em relação às grandes empresas?

 

O processo de internacionalização de pequenas e médias empresas, ou de  microempresas, não tem grandes diferenças em relação ao que acontece com as  grandes empresas do ponto de vista conceitual. O objetivo é poder comprar melhor, no caso de quem importa, e vender melhor, no caso de quem exporta, embora a grande maioria das pequenas empresas comece seus processos de internacionalização exportando.

 

Em relação ao valor do investimento e prazo de retorno, sempre se recomenda prudência, optando pela modalidade  indireta de exportação e importação, que exige  menos capital. E, embora possa acontecer de o tempo de retorno ser menor do que se espera, sempre se recomenda dar passos do tamanho da perna, e encarar a decisão de buscar o mercado externo como uma estratégia de longo prazo.

 

Burocracia e tributação

 

Pequenas e médias empresas que exportam têm benefícios garantido na  Lei 147/2014, que alterou o Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, permitindo que elas acessem o mercado externo por meio de procedimentos simplificados de habilitação e despacho aduaneiro e pelo Simples Exportação, regulamentado pelo Decreto nº 8.870, de 5/10/2016 e pela  Instrução Normativa 1.676, de 06/15/2016.

 

Esse decreto também criou a figura do operador logístico internacional, uma pessoa jurídica que pode ser contratada por uma empresa que adota o  Regime tributário do Simples Nacional, e habilitado junto à Receita Federal, pode realizar as seguintes operações de exportação:

Habilitação

Licenciamento administrativo

Despacho aduaneiro

Consolidação e desconsolidação de carga

Contratação de seguro

Câmbio

Transporte e armazenamento de mercadorias objeto da prestação do serviço.

 

Fatores de atenção na internacionalização de pequenas e médias empresas

 

A internacionalização abre grandes oportunidades de negócios para as PMEs, e no longo prazo, elas ficam menos vulneráveis às intempéries da economia brasileira. Mas existem pontos que precisam ser ponderados para transformar oportunidades em resultados, como:

 

Conhecimento sobre os mercados em que se pretende atuar.

 

Para ter sucesso nos mercados externos, é importante ter informações como a legislação de cada país e o nível de concorrência do mercado, ou nicho ou segmento em que se pretende atuar. Saber se é um mercado pulverizado, com muitos concorrentes, ou se já existe uma empresa ou marca dominante é fundamental para elaborar sua estratégia de entrada.

 

Comportamento do consumidor

 

Vivemos hoje em um mundo globalizado, com marcas e símbolos sendo conhecidos mundialmente, principalmente através da internet. Mas isso não significa que consumidores de países diferentes necessariamente pensem ou ajam de maneira igual.

É importante conhecer as características socioculturais de cada país, e estar pronto e aberto para fazer adaptações em seu produto ou serviço.

 

Capacidade de Investimento em produção

 

Quando buscamos clientes no exterior, sempre é possível que apareçam muitos compradores para  grandes volumes, ou ainda um grande comprador para um grande volume. Produzir para atender a essa demanda requer um investimento antecipado, que as micro, pequenas e médias empresas devem analisar cuidadosamente se têm condições de fazer.

 

Capacidade de investimento em tecnologia e mão de obra

Muitas vezes, para poder ser competitivo no mercado de outros países, é necessário investir em mão de obra ou em atualização tecnológica. As micro, pequenas e médias empresas devem avaliar cuidadosamente como e onde podem adquirir essas competências e/ou equipamentos, e qual o tamanho do investimento necessário.

 

Investimento em adaptações

 

É importante que as Micro, Pequenas e Médias empresas tenham em mente que o retorno de um processo de internacionalização vem a longo prazo. Então, caso decidam fazer os investimentos em adaptações, devem fazer sua engenharia financeira levando esse fato em consideração.

 

 

Capital de Giro

 

Além do volume de investimento em si, as micro, pequenas e médias empresas devem avaliar se tem o capital de giro necessário para suportar prazos de pagamento mais longos, inclusive levando em conta as eventuais necessidades de investimento que já colocamos.

 

Vulnerabilidade a flutuações no câmbio.

 

O brasil adota o regime de câmbio flutuante. Isso significa que, tanto influenciado por fatores internos, quanto externos, a cotação entre o Real e o Dólar, ou o Euro, que são as principais moedas utilizadas nas transações de comércio exterior podem sofrer variações imprevisíveis.

Concentração de riscos

Diz a sabedoria popular que não se deve colocar todos os ovos em uma única cesta. Isso também vale para a internacionalização Micro, Pequenas e médias empresas. Um dos principais ganhos do processo de internacionalização é diluir os riscos, diminuindo a dependência do mercado brasileiro.

 

Mas, da mesma maneira, deve-se tomar cuidado para não depender unicamente de um único outro mercado, trocando uma concentração de riscos por outra.

 

Como evitar a concentração de riscos

 

Na realidade das micro, pequenas e médias empresas, a melhor maneira de se evitar a concentração de riscos é manter uma proporção segura em relação a quanto um único mercado no exterior representa proporcionalmente na receita e nos lucros da empresa, evitando a situação de ter um cliente que, se por alguma razão começar a compra menos, ou parar de comprar, isso comprometa a continuidade da empresa.

 

Quanto as Pequenas e Médias Empresas brasileiras exportam

 

Colocada uma perspectiva realista dos riscos que precisam evitar e dos ganhos que podem ter,

Segundo o Sebrae, em 2019, portanto, antes da pandemia de Covid-19 criar uma situação totalmente anormal, 40% das empresas exportadoras brasileiras eram micro e pequenas empresas, que venderam US$1.239 milhões para o exterior.

 

Embora seja um volume pequeno, quando colocado em comparação com os US$ 225,4 bilhões de exportações total do Brasil no mesmo período, há razões para as pequenas e médias empresas brasileiras prestarem atenção ao mercado externo e incluírem a internacionalização como uma de suas estratégias no momento de retomada das atividades, porque talvez outros países se recuperem mais rapidamente, e  seus mercados estarão compradores.

 

O que as pequenas e Médias empresas  brasileiras exportam

Em 2019, aproximadamente 8.3 mil PMEs brasileiras exportaram, sendo que elas se dividem da seguinte maneira, por ramo de atuação:

Industrial – 47,10%

Comercial – 41,20%

Agropecuário – 10,60%

Serviços – 1,10%

Vale destacar que, na realidade das grandes empresas, o volume mais significativo das nossas exportações são commodities, especificamente minérios e produtos do agronegócio. Mas entre as micro, pequenas e médias empresas, essa lógica se inverte, mostrando a  predominância de indústrias entre os exportadores, especialmente nos seguintes segmentos, divididos entre microempresas e pequenas e médias empresas:

 

Microempresas: Vestuário, calçados , pedras preciosas ou semipreciosas,

Pequenas e médias  empresas: Madeira serrada, obras de mármore e granitos e pedras preciosas.

Fatores de sucesso na internacionalização de pequenas e médias empresas

 

Para a internacionalização ser interessante para uma empresa pequena ou média, ela precisa ter definidos quais serão os seus fatores de sucesso e competitividade.

 

Como elas não tem o mesmo capital ou acesso a crédito que maiores tem, os dois principais acabam sendo uma estrutura enxuta, capaz de se adaptar rapidamente às necessidades específicas e a capacidade utilizar essa flexibilidade para serem competitivas em nichos de mercado específicos.

 

Capacidade de focar em nichos e segmentos específicos do mercado

 

Existem certos nichos e segmentos de mercado cujo volume de vendas não é atrativo para grandes empresas, mas que são bastante interessantes para as pequenas e médias, que podem obter margens de lucro consideráveis nesses mercados.

 

Estrutura ágil e enxuta

 

Empresas pequenas e médias conseguem fazer com rapidez e agilidade as adaptações que precisariam para atender a um cliente do mercado externo, inclusive, passar pele processo de internacionalização, quando identificam uma oportunidade de ganho.

 

Case de sucesso: A Indústria de Granito do Espírito Santo

 

A Indústria de Granitos do Espírito Santo é um case de sucesso. Não somente por ser um produto brasileiro reconhecido como de boa qualidade, mas por utilizar estratégias como a designação de origem para evitar a comoditização do produto, conquistando mercado em países Estados Unidos, México, Itália, Canadá, Colômbia, Argentina, Alemanha, Polônia e países árabes.

 

Esses granitos conseguiram esse espaço no mercado internacional por serem tão resistentes quanto  os granitos comuns, mas tendo cores e padrões que permitem que eles disputem a preferência de arquitetos e designers de ambientes desses países com o mármore, que é muito menos durável e resistente.

 

O que é interessante no case do granito do Espírito Santo é que entidades que representam as empresas do setor, como o Sindrochas, utilizam estratégias de marketing consistentes, como criar uma designação de origem de granito brasileiro, que funciona como uma marca que agrega valor ao produto, da mesma maneira que café colombiano, vinho chileno, e design italiano ou escandinavo.

 

 

Conclusão

 

O mercado externo oferece muitas oportunidades para as pequenas e médias empresas brasileiras, e a internacionalização oferece a elas a oportunidade de acessar mercados quer tendem a ser recuperar mais rapidamente que o Brasileiro.

 

Procurem empresas ou profissionais qualificados para fazer seus processos de internacionalização e aproveitar essas oportunidades.



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