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Parceria estratégica da Argentina com a China avança. Como ficam o Mercosul (e o Brasil) ?



O Mercosul completou 31 anos de constituição. Mas, ao invés de comemorações, vemos o volume do comércio exterior entre Brasil e Argentina, estagnar. Não estagnaram, entretanto, as relações comerciais do nosso vizinho com a China, que ultrapassou o Brasil em termos de exportações para a Argentina em mais de US$.1 bilhão, aumentando a diferença que em 2020 havia sido de US$.10 milhões. A parceria estratégica da Argentina com a China avançou. Como ficam Mercosul e Brasil?

 

As exportações chinesas para a Argentina alcançaram a US$.13,5 bilhões no período, representando 21,4% das compras externas argentinas. Já as vendas brasileiras chegaram a US$.12,4 bilhões, perfazendo 19,6% das compras externas de nosso parceiro no Bloco Econômico Sul-Americano. Em relação ao ano de 2020, as vendas da China avançaram 56,3%, com o país asiático avançando na região com a venda de bens industriais com alto valor agregado.

 

Porque o comércio entre a China e a Argentina cresceu

 

Existem três razões principais. A primeira é que a Argentina produz, e é competitiva, assim como o Brasil, naquilo que a China precisa comprar: Alimentos.

 

A segunda é que a China exporta produtos que a Argentina precisa como eletrônicos (TVs, computadores entre outros), vacinas para medicina humana, herbicidas, circuitos impressos com componentes montados e máquinas e equipamentos, que foram os produtos principais da pauta de exportações chinesas para a Argentina em 2021. Mais da metade que o país asiático vendeu à Argentina, inclusive, foram bens de capital e suas partes e peças.

 

A terceira é que o  comércio entre a China e Argentina não precisa ser feito em dólares, pode ser feito em moedas locais, Yuan (Renminbi) e Peso Argentino. Como a Argentina, em crise econômica há muito tempo, possui poucas reservas em dólar, aumenta a atratividade do comércio com a China.

 

O que chama a atenção, e deve nos preocupar, entretanto, não é que a participação das exportações chinesas no mercado argentino cresceu. Mas que a participação brasileira , que foi em grande de exportações de bens intermediários e veículos, estagnou.

 

A Industria Brasileira vem perdendo competitividade e a produtividade há anos. E para piorar, tem-nos faltado também atenção e planejamento para o Brasil manter o espaço nos mercados da Argentina e da própria América Latina, como um todo.

 

Já para a China, no passado, era conhecida como produtora de bens de baixa qualidade com mão de obra barata e hoje tem como um de seus pontos fortes o design e a tecnologia aplicadas aos bens, utilizando pontes com outros países do Sudeste Asiático, esses sim que atualmente tem mão de obra barata, não tem faltado atenção ou estratégia, na qual a Argentina, e outros países latino americanos, percebem benefícios e oportunidades.

 

Um exemplo é a iniciativa do Cinturão e da Rota da Seda (BRJ em inglês), o projeto chinês para financiar a infraestrutura e ampliar sua influência no mundo.

 

A Central Nuclear Attacha com investimentos em US$.8,3 bilhões com contrato já firmado, será o primeiro investimento chinês em energia nuclear na América Latina. Foram assinados na recente viagem do Presidente Alberto Fernandez à China cerca de 25 projetos, na maioria planos de infraestrutura, incluindo-se obras de ampliação e reformas de linhas ferroviárias, programas de transporte, projetos de eletrificação e uma planta para produção de papel e celulose, entre outros projetos.

 

Até o momento, 19 países da América Latina aderiram ao projeto do Cinturão e Rota da Seda, e os volumes financiados cm empréstimos da Cinturão e Rota da Seda atingiram cerca de US$.1,3 trilhões em projetos de infraestrutura Bilhões, mas Brasil, Colômbia e México ainda não aderiram.

 

Como o Brasil deve se posicionar em relação à presença da China na América Latina

 

A presença da China como investidora e parceira comercial no América Latina e no nosso principal parceiro no Mercosul, assim como em diversos outros mercados do mundo é uma realidade imposta pela globalização econômica.  A questão agora é como vamos lidar com isso, pois a Argentina é um mercado onde produtos de nosso parque industrial que ao longo dos anos perdeu competitividade, ainda tem uma boa participação.

 

Uma opção é buscar retomar ou manter nossa posição nos mercados da Argentina, do Mercosul e da América Latina como um todo, investindo em atualização tecnológica, produtividade, e mecanismos que aumentem nossa competitividade, diminuindo o custo-Brasil, ao mesmo tempo em que estreitamos vínculos de amizade, utilizando nosso corpo diplomático, reconhecidamente competente e qualificado, para isso.

 

A outra opção é simplesmente ficarmos parados, olhando o Mercosul se tornar irrelevante e desperdiçarmos trintae um  anos de trabalho pela integração econômica sul-americana.

 



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