exportar e importar Egito

Egito: Como fazer bons negócios com um dos países mais ricos da África



 

A República Árabe do Egito se localiza no Norte da África e a Península do Sinai, já na Ásia. Com seu litoral de2.450 km banhado pelo Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho e tendo fronteiras terrestres com a Líbia.  Faixa de Gaza, Israel e Sudão, o Egito tem uma extensão territorial de 1.001.450km² dividida administrativamente em 27 províncias e é o país mais rico da África, quando se usa o tamanho do PIB como critério.

 

A História do Egito

 

No Egito se estabeleceu uma das mais desenvolvidas e fascinantes civilizações da história humana, que data de mais de três milênios antes de Cristo, que adquiriu conhecimentos avançadíssimos, perdidos no tempo, que foi capaz, dentre outros feitos, de legar uma herança arquitetônica na forma de pirâmides e templos que até hoje intrigam os cientistas, que tentam descobrir como foram construídas obras tão grandiosas.

 

A civilização Egípcia nasceu às margens do Rio Nilo, cujo cheia garantia terras férteis para o cultivo agrícola, ao mesmo tempo em que os desertos a Leste e Oeste, como o célebre Deserto do Saara, garantiram um relativo isolamento que protegeu os Egito de invasões e garantiu o seu florescimento.

 

O primeiro reino unificado do Egito surgiu por volta de 3.200 aC, e uma série de dinastias governou o país pelos três milênios seguintes. A última dinastia egípcia nativa caiu para os persas em 341 aC. Esses, por sua vez foram substituídos por gregos, romanos, bizantinos. A conclusão do Canal de Suez, em 1869,ligando o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, tornou o Egito um importante centro de transporte mundial. Para proteger seus investimentos no Egito, especialmente o Canal de Suez, a Grã-Bretanha assumiu o controle do governo do Egito em 1882.

 

Embora o Egito fosse nominalmente parte do Império Otomano, que acabou na I Guerra Mundial,  quem dominava realmente eram os britânicos. Parcialmente independente do Reino Unido em 1922, o Egito adquiriu total soberania da Grã-Bretanha em 1952, quando os militares nacionalistas Oficiais Livres, liderados por Gamal Abdel Nasser, derrubassem o Rei Faruk e estabeleceram a República Árabe do Egito, que era governado por egípcios pela primeira vez em quase 2.300 anos.

 

Nasser estabeleceu uma corrente política nacionalista, influente em todo o Oriente Médio nos anos seguintes, que teve seu grande momento quando nacionalizou o Canal de Suez e provocou a reação militar de França e Reino Unido, potências coloniais tradicionais. Mas essas perceberam que o mundo pós-segunda Guerra Mundial era diferente. Sem o apoio das grandes potências da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética, não tiveram como garantir suas pretensões, decretando o fim da Era dos Impérios Coloniais.

 

Nasser governou até seu falecimento, em 1970, sendo sucedido por Anwar Al Sadat, que celebrou o acordo de Paz de Camp David, com Israel, afastou o Egito da esfera de influência da União Soviética e diminuiu a influência estatal na economia, uma herança de Nasser, em uma política chamada Infitah.

Anwar Al Sadat foi assassinado em 1981, sendo sucedido por Hosni Mubarak, que manteve o acordo de paz com Israel e governou até 2011, por trinta anos.

 

Hosni Mubarak renunciou após intensos protestos populares, na chamada Primavera Árabe. Em 2012 foi eleito Mohamed Mursi, que governou por pouco tempo. Depois de uma onda de protestos em 2013, Mursi foi derrubado por militares, assumindo o poder Abdelfattah El Sisi que foi reeleito em março de 2018.

 

A população do Egito

O Egito tem 106.437.241 habitantes, dos quais 95% vivem a até 20 km do delta do Rio Nilo, o que faz com que vastas áreas do país, que tem um clima de deserto muito rigoroso, sejam quase ou totalmente desabitadas.

A população é considerada etnicamente egípcia e 90% dela segue a vertente sunita da Religião Islâmica, sendo os 10% restantes cristãos, especialmente Ortodoxos Coptas. A língua oficial do Egito é o Árabe, embora o Francês e o Inglês sejam muito falados entre aqueles de melhor nível educacional.

 

 O PIB do Egito

 

O PIB do Egito é de U$323.763 bilhões, o que o torna o país mais rico da África, seguido pela Nigéria e África do Sul. Entretanto, se o critério para definir o país mais rico for o PIB per capita a posição do país cai bastante.

Antes da Pandemia o crescimento do PIB do Egito vinha seguindo uma taxa bastante significativa, sendo de 4,4% em 2015, 4,3% em 2016 e 4.2%  em 2017, Embora a inflação também seja bastante alta, tinha caído progressivamente nos mesmo período, sendo de 29,6% em 2017, 14,4% em 2018 e 9,3% em 2019.

 

 

A Economia do Egito

 

O peso de cada setor da economia do Egito na construção da riqueza do país é o seguinte:

 

Agricultura: 11,7%

Indústria: 34,3%

Serviços: 54%

 

Os principais produtos agrícolas são: Cana de açúcar, beterraba, trigo, milho, tomate, arroz, batata, laranja, cebola e leite.

Os principais produtos industriais são: têxteis, processamento de alimentos, produtos químicos, farmacêuticos, hidrocarbonetos, construção, cimento, metais e manufaturas leves.

O principal produto do setor de serviços do Egito é o Turismo.

 

O Egito recebe desde pessoas de países próximos para relaxarem nas praias do Mar Vermelho até milhões de turistas de todos os lugares do mundo, que vão lá para apreciar desde os passeios de barco no Rio Nilo, imortalizados nos romances de Agatha Christie até sítios arqueológicos incríveis, como as Pirâmides de Gizé, o Vale dos Reis e Abu Simbel, entre outros.

 

A taxa de desemprego no Egito é alta: 24,7% da População Economicamente Ativa.

 

Exportações e importações do Egito

 

O Egito se encontra em um processo de modernização e abertura de sua economia, que busca se tornar mais diversificada, o que impactará diretamente em suas exportações e importações.

 

Produtos importados pelo Egito

 

Total de Importações do Egito no ano de 2020 foi de US$ 60.279.554, sendo os principais produtos importados os seguintes:

 

Combustíveis minerais,

Óleos minerais e produtos da sua destilação;

Matérias betuminosas;

Ceras minerais

Caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes ,

Automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, especialmente pata transporte de pessoas,  suas partes e acessórios ,

Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes;

Aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios

Trigo

Medicamentos

Milho

 

 

Países de origem das importações do Egito

 

Os principais fornecedores mundiais para as importações egípcias são:

 

China ,

Estados Unidos da América ,

Arábia Saudita ,

Alemanha ,

Turquia

 

Produtos exportados pelo Egito

 

O total das exportações do Egito no ano de 2020 foi de US$ 26.815.145, sendo os principais produtos exportados pelo Egito os seguintes:

 

Pérolas naturais ou cultivadas,

Pedras preciosas ou semipreciosas e semelhantes,

Ouro,

Metais banhados a ouro com platina, em formas brutas ou semimanufaturadas, como folheados ou chapeados e suas obras; como bijuterias e moedas

Plásticos e suas obras

Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes;

Frutas e nozes comestíveis; cascas de frutas cítricas ou melões

Óleos de petróleo e óleos obtidos de minerais betuminosos, brutos ,

Fertilizantes nitrogenados minerais ou químicos (exceto aqueles em pellets ou formas semelhantes ,

Frutas cítricas, frescas ou secas  .

 

Principais destinos das exportações do Egito

 

Emirados Árabes Unidos,

Arábia Saudita ,

Turquia ,

Estados Unidos da América ,

Itália

 

As relações comerciais Brasil-Egito

 

O Brasil tem boas relações comerciais e diplomáticas com o Egito, e também com praticamente todos os países  árabes. Esse bom relacionamento é oriundo não somente de um trabalho diplomático competente e pragmático,  realizado ao longo de décadas, como pela peculiaridade de que boa parte da nossa população, que alguns estimam em quase 10% dos brasileiros, ser descendente de imigrantes de países árabes, em um processo que começou no fim do Século XIX e que continua até hoje.

 

Falando especificamente das relações comerciais Brasil-Egito, as exportações brasileiras para o Egito somaram US$ 1.754.031.562 em 2020. No mesmo ano, as importações do Brasil vindas do Egito somaram US$ 212.188.566, garantindo para o Brasil um superavit comercial bastante considerável nas relações com esse país árabe do Norte da África.

 

 

Principais produtos exportados pelo Brasil para o Egito

 

Cereais em geral

Milho, exceto para semeadura

Carne bovina, desossadas, congeladas e miudezas, comestíveis

Carnes de galos e galinhas da espécie doméstica não cortadas em pedaços, congelada

Açúcar de cana e produtos de confeitaria

Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados, escórias e cinzas

Papel e cartão; obras de pasta de celulose, de papel ou de cartão

 

Principais produtos importados pelo Brasil do Egito

 

Fertilizantes

Preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas

Azeitonas preparadas ou conservadas, exceto em vinagre ou ácido acético, não congeladas, ,

Plásticos e suas obras

Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação;

matérias betuminosas;

ceras minerais

Produtos hortícolas, plantas, raízes e tubérculos, comestíveis.

superfosfatos

Ureia, mesmo em solução aquosa

Policloreto de vinila,

Parafina

 

Acordos comerciais entre Brasil e Egito                                                                                              

 

O Acordo de livre comércio (ALC) entre o Mercosul e o Egito foi firmando em San Juan, Argentina, em 02/08/2010, aprovado pelo congresso nacional pelo decreto legislativo no. 216/2015 e promulgado pelo decreto no. 9229 de 6/12/2017.

 

O acordo, que entrou em vigor em 01/09/2017,  abrange cerca de 980 linhas do universo tarifário, que terão suas tarifas desgravadas até 01/09/2026. As preferências concedidas pelo Brasil ao Egito E vice-versa serão distribuídas ao longo de 10 anos e já completou 3 anos e meio de sua vigência.

 

Entre os produtos que o Brasil passou a vender mais para o Egito, após a vigência do acordo, estão: carnes de boi, frango, tijolos, placas, ladrilhos e peças cerâmicas semelhantes para construção, e óleos de petróleo ou de minerais betuminoso.

 

No caso do Egito, as exportações para o Brasil cresceram em: plantas, suas partes, sementes e frutos, para uso em perfumaria, inseticidas, azeitonas preparadas ou congeladas, parafina e cimentos.

 

 

A modernização da Economia Egípcia

 

A economia do Egito passou por um recente processo de modernização. As reformas macroeconômicas e estruturais estabilizaram a economia egípcia, tornando o ambiente de negócios no país mais saudável e atraente a investimentos externos. O timing dessas reformas foi propício, permitindo que o Egito enfrentasse as consequências econômicas da pandemia de COVID-19 em condições mais favoráveis do que em outros tempos

 

Efeitos da Pandemia de Covid -19 na economia do Egito.

 

 

O Egito entrou na crise global do COVID-19 com a contas fiscais e externas em uma situação bem melhor do que em outros tempos, o que deu ao país alguma margem de manobra.  No entanto, as repercussões adversas da pandemia, desde então, minaram esse progresso recente, lançando luz sobre desafios de longa data.

 

Entre esses desafios está a lenta atividade do setor privado e criação de empregos, especialmente formais, desempenho inferior das exportações não petrolíferas e do Investimento Estrangeiro Direto (IDE), elevada relação dívida pública / PIB, baixo potencial de mobilização de receitas e uma estrutura orçamentária desfavorável, com alocações limitadas a setores-chave, como saúde e educação.

 

Medidas de estímulo à economia do Egito após a Covid-19

 

No início da crise da COVID-19, o governo elaborou um pacote de resposta de emergência no valor de 100 bilhões de LE, Libras Egípcias, o equivalente a 1,7% do PIB do anos fiscal de 2018/2020.  As medidas incluem uma concessão monetária excepcional a trabalhadores irregulares, expansão dos programas de transferência de renda já existentes, maior tolerância nos atrasos das declarações de impostos e pagamento de empréstimos, além de crédito subsidiado para alguns  setores-alvo.

 

O Banco Central do Egito cortou as taxas de juros em 400 pontos-base, para aumentar a liquidez e permitir que pessoas físicas tenham acesso ao crédito em termos favoráveis. Em um cenário mais otimista, em que a vacinação contra a COVID-19 progrida de forma rápida e constante, ao longo de 2021 e início de 2022, espera-se que o Egito comece a recuperar lentamente seu ímpeto de crescimento econômico pré-pandemia,

 

Mas, Mas, se  o processo de vacinação se tornar mais demorado ou as variantes da doença causarem mais interrupções da atividade econômica,. crise causada pela pandemia terá um efeito ainda mais grave sobre a economia do Egito.

 

Oportunidades pós-pandemia na economia do Egito.

 

Como em outros países do mundo afetados pela Covid-19, a pandemia ressaltou a importância de fazer avançar a agenda do capital humano, acelerar a transformação digital e fortalecer a proteção social.

 

Além disso, uma segunda onda de reformas  econômicas,  projetada para desencadear a atividade do setor privado e enfrentar os desafios estruturais de longa data do Egito está pendente. Ela é crucial para criar melhores oportunidades de emprego e melhorar os meios de subsistência da população, e participar desse processo, em que a iniciativa privada será muito bem-vinda, é uma grande oportunidade para as empresas brasileiras.

Fica a dica para reflexão.



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