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Como fazer bons negócios com o Vietnã, um dos novos Tigres Asiáticos



O Vietnã é um país milenar, com indícios de ocupação humana desde a pré-história e onde se estabeleceram riquíssimas civilizações, mas que ocupa um lugar no imaginário coletivo como palco de diversos conflitos militares ao longo da história. Por trás desse estereótipo está um dos novos tigres asiáticos, uma das economias que mais cresce  no mundo, e um excelente mercado para empresas internacionalizadas, que ganharam muito dinheiro ao aprender como fazer bons negócios com o Vietnã.

 

Localização geográfica do Vietnã

 

O Vietnã se localiza no Sudeste Asiático, uma das regiões cujo crescimento econômico acontece de forma mais acelerada no Século XXI, e para onde a balança econômica do mundo está se inclinando.

 

Seu território de 310,070 km² é dividido em 48 províncias e 5 municípios, fazendo fronteira com Camboja, China e Laos. Seu litoral tem  3.444 Km, sendo banhado pelas águas do Golfo da Tailândia, Golfo de Tonkin e Mar da China Meridional.

 

 

População do Vietnã

 

O Vietnã é o 14º país mais populoso do mundo. O tamanho da população vietnamita em 2021 foi estimado em 102.790 milhões de pessoas, sendo que a população economicamente ativa é de 58 milhões.

 

 

Breve história do Vietnã

 

O Vietnã  foi domínio da China Imperial por um longo tempo, entre 111 a.C. até 938 d.C., quando, após a Batalha de Bach Dang, começou a ser governado por diversas dinastias vietnamitas e floresceu cultural e politicamente. Esse período de autodeterminação foi interrompido no Século XIX, quando começou o domínio colonial francês, com a criação da chamada Indochina Francesa, do qual faziam parte também o Laos e o Camboja.

 

O domínio francês foi interrompido em 1940, com um período de ocupação japonesa que terminou com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota do Japão Imperial. Com o retorno do domínio colonial francês, se iniciou a Primeira Guerra da Indochina, que conseguiu expulsar os franceses em 1954, mas dividiu o pais em dois, a República Democrática do Vietnã, ou Vietnã do Norte, socialista, sob o comando de Ho Chi Minh  e a República do Vietnã, ou Vietnã do Sul, sob o comando do Imperador Bao Dai, depois deposto Ngo Dinh Diehn.

 

Imediatamente após o fim do domínio francês se iniciou uma guerra civil pela unificação do país, com a Frente Nacional de Libertação, também conhecida como Vietcong, apoiada pelo Vietnã do Norte, e o governo do Vietnã do Sul, com apoio crescente dos Estados Unidos, que a partir de 1963 se intensificou, resultando em um dos mais notórios conflitos armados do período da Guerra Fria.

 

A Guerra do Vietnã durou de 1963 a 1975, quando os Estados Unidos se retiraram de Saigon, tendo tido intensa cobertura jornalística e um impacto político e cultural muito  profundo nos Estados Unidos e em todo o Ocidente, como pode ser percebido em toda a imensa produção ficcional e não-ficcional sobre o tema, influenciando até hoje a percepção que se tem sobre o Vietnã.

 

Após o fim do conflito, vencido pelo Vietnã do Norte e o Vietcong, o país foi reunificado como a República Socialista do Vietnã, um dos poucos países do mundo que ainda se declara oficialmente comunista, juntamente com Laos, Cuba, Coréia do Norte e China.

 

Mas, da mesma maneira que seu gigantesco vizinho asiático, a China, com quem teve um breve confronto militar em 1979, a Guerra Sino Vietnamita, o Vietnã abandonou o que se poderia chamar de uma visão “marxista linha dura” sobre o desenvolvimento econômico, implementando a partir de 1986 reformas que aceleraram seu crescimento econômico, a ponto de garantir ao país o status de novo tigre asiático.

 

A economia do Vietnã.

 

O Vietnã é hoje um país em desenvolvimento, em transição desde 1986, de uma economia agrária  altamente planejada centralmente para uma economia mais industrial e baseada no mercado, o que gerou um aumento substancial na riqueza do Vietnã e na renda de sua população, fazendo do país um mercado interessante para se exportar e de onde importar.

 

A taxa de desemprego do Vietnã em 2019 era de 2,0% da população economicamente ativa.

 

 

O PIB do Vietnã

 

O PIB do Vietnã é de US$ 261.921 bilhões, tendo mantido taxas de crescimento real altas e constantes  antes da Pandemia.

Em 2017, o ÌB Vietnamita cresceu 6,8%, – ultrapassando metas e expectativas, principalmente devido a aumentos inesperados na demanda doméstica e fortes exportações de manufaturados, um número que aumentou e se manteve nos anos seguintes, sendo 7,00% em 2018, 7% em 2019 e 1,6% em 2020, que embora seja pequena comparada aos períodos anteriores, chama a atenção por ter tido um crescimento positivo quando a maioria das economias do mundo teve retrações brutais.

 

Composição do PIB do Vietnã

 

Agricultura: 15,3%

Indústria: 33,3%

Serviços: 51,3% .

 

Principais produtos agrícolas Vietnamitas:

Arroz

Vegetais

Cana-de-açúcar

Mandioca

Milho

Banana

Café

Coco

 

Principais produtos Industriais do Vietnã:

 

Processamento de alimentos

Vestuário

Sapatos

Construção de máquinas

Mineração

Fertilizantes químicos

Vidros

Pneus

Óleos

Telefones celulares

 

Uma informação relevante é que 1/3 da produção global de smartphones da prestigiada marca sul-coreana Samsung é feita no país

 

 

Serviços

 

Turismo,

Telecomunicações,

Transporte.

Serviços financeiros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tratados Comerciais e Organizações multilaterais de que o Vietnã participa.

 

 

O Vietnã aderiu à OMC – Organização Mundial do Comércio em janeiro de 2007 e concluiu vários acordos de livre comércio entre 2015 e 2016, incluindo:

 

Acordo de Livre Comércio União Europeia-Vietnã,

Acordo de Livre Comércio da Coreia

Acordo de Livre Comércio da União Econômica da Eurásia.

 

Buscando diversificar suas oportunidades, o Vietnã também assinou o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica em 2018 e a Parceria Econômica Abrangente Regional (Regional Comprehensive Economic PartnershipRCEP), sendo também parte integrante do ASEAN, com Mianmar, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia e Singapura.

 

A primeira onda de reformas econômicas no Vietnã.

 

As reformas econômicas que o Vietnã ao crescimento foram iniciadas em 1986, com o nome de Doi Moi, que na língua vietnamita significa renovação, com o objetivo de criar uma economia de mercado com orientação socialista. Por esse sistema, contrariando o que poderia se chamar de linha dura comunista, a produção de bens e serviços por empresas privadas foi permitida, e mais tarde, devido ao sucesso, encorajada pelo Partido Comunista do Vietnã.

 

Analisando em retrospecto, era algo que estava dentro do espírito do que acontecia no principal aliado do Vietnã naquela época, a União Soviética, que passava por seu próprio processo de reestruturação, a célebre Perestroika, no momento histórico que hoje conhecemos como últimos anos da Guerra Fria.

 

Mas, diferentemente do que ocorreu na União Soviética, que entrou em colapso e se desintegrou, no processo que deu fim à Guerra Fria com os Estados Unidos e dando origem à Federação Russa e uma série de outras repúblicas, o sistema político vietnamita sobreviveu e conduziu as reformas com sucesso.

 

 

 

A segunda onda de reformas econômicas do Vietnã.

 

Para se manter em uma trajetória de forte crescimento econômico, o governo do Vietnã reconheceu a necessidade de desencadear uma segunda onda de reformas, que alcança, inclusive, as empresas estatais, reduzindo a burocracia e aumentando a transparência dos setores empresarial e financeiro, reduzindo o nível de inadimplência nos empréstimos bancários.

 

Em 2016, alegando preocupações do público e das autoridades com segurança e o altíssimo custo, o Vietnã cancelou seu programa de desenvolvimento de energia nuclear.  Desde então, o país enfrenta uma pressão crescente na infraestrutura de energia. Aliás, cabe destacar que a infraestrutura do país como um todo não atende às necessidades de sua classe média em expansão.

 

Apesar dessa demanda que exige investimentos pesados, o Vietnã tem demonstrado compromisso com o crescimento sustentável,  não se mostrando disposto a dar passos maiores que a perna. Apesar da recente aceleração do crescimento econômico, o governo continua cauteloso quanto ao risco de choques externos.

 

Mas essa cautela não impede que o país esteja em dia com os investimentos que precisa fazer para que o manter sua crescente competitividade global, como por exemplo, a Internet 5G, que está sendo instalada lá por uma empresa estatal, a Viettel, que também é responsável por essa tecnologia em países como Camboja, Laos e Mianmar.

 

Comércio exterior do Vietnã

 

O comércio exterior vietnamita é pujante. Seu fluxo comercial com o mundo já ultrapassou o do Brasil, e a competitividade de sua indústria já é igual à da brasileira.

 

Importações e exportações do Vietnã

 

A corrente de comércio do Vietnã com o mundo alcançou em 2019, a soma de US$.518.052 bilhões, com as alcançando US$.264.610 bilhões e as importações de US$.253.442 bilhões, garantindo aos vietnamitas um  superavit comercial de US$.11.168 bilhões.

 

Principais destinos das exportações do Vietnã

 

Estados Unidos da América,

China,

Japão,

Coreia do Sul

Hong Kong.

 

Principais produtos exportados pelo Vietnã

 

Máquinas

Aparelhos e materiais elétricos

Aparelhos de gravação  ou de reprodução de som

Aparelhos de gravação ou reprodução de imagens e de som em televisão

Calçados, polainas e artefatos semelhantes

Vestuário e  acessórios

Caldeiras

Máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos.

 

Principais origens das importações do Vietnã

 

China,

Coreia do Sul

Japão

Taiwan

Estados Unidos da América.

 

Principais produtos importados pelo Vietnã

 

Plásticos

Combustíveis minerais

Óleos minerais e produtos de sua destilação

Matérias betuminosas e ceras minerais

Ferro fundido

Ferro e aço.

 

Relações comerciais Brasil Vietnã

 

O fluxo comercial Brasil-Vietnã atingiu US$.4,568 bilhões em 2020, com exportações do Brasil no valor de US$. 2,264 bilhões e importações de US$.2,303 bilhões. Logo, o Brasil tem um déficit comercial com o Vietnã de US$ 39 milhões.

 

Principais produtos exportados pelo Brasil para o Vietnã

 

Milho

Soja e proteína de soja

Algodão, não cardado e não penteado

Carnes suínas congeladas.

 

Principais produtos importados do Vietnã pelo Brasil

 

 

Peças de aparelhos telefônicos

Telefones para redes celulares ou redes sem fio

Aparelhos de transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados

Processadores e controladores, mesmo combinados com memórias

Conversores

Circuitos lógicos

Amplificadores

Circuitos temporizados e de sincronização ou outros circuitos

Calçados esportivos para tênis, basquetebol, ginástica, feitos de materiais têxteis e sola de borracha ou plástico.

 

Porque as  empresas brasileiras devem prestar atenção ao Vietnã

 

O Vietnã, e mesmo ainda não sendo um país totalmente capitalista, no sentido mais purista do termo, com as reformas que realizou a partir de 1986 o Vietnã se tornou um lugar onde empresas internacionalizadas podem realizar bons negócios, importando ou exportando.

 

A segunda onda de reformas trará grandes oportunidades de bons negócios. Não somente para atender à imensa demanda para a construção da infraestrutura do país, como também ao consumo de uma classe média vietnamita que a cada dia se torna mais rica.

 

E não custa reforçar que, além do mercado vietnamita em si, o país pode ser o hub de acesso aos mercados de outros países do Sudeste Asiático, que é a região para onde o peso econômico do planeta está se deslocando e consequentemente, o lugar onde as coisas irão acontecer, oferecendo as oportunidades de bons negócios.



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